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Quarta, 19 Dezembro 2018 13:24

Joe Valle faz balanço sobre o seu período à frente da Mesa Diretora

O presidente da Câmara Legislativa, deputado Joe Valle (PDT), aproveitou a última sessão do ano (17) para fazer um balanço sobre o seu período à frente da Mesa Diretora. "Estou honrado, emocionado e grato", declarou. O parlamentar listou diversas ações da CLDF com vistas à transparência: "É necessário, sempre, prestar contas aos representados. Tudo o que praticamos é direito do povo conhecer".

O conceito que norteou o seu mandato também foi destacado pelo distrital: a ressignificação do Legislativo do Distrito Federal. "A relação com os demais poderes foi pautada pela legalidade. Não houve jeitinho", assegurou. Ele ainda lembrou os esforços empreendidos para "fazer uma gestão que honrasse o povo do DF". E listou atividades – "Câmara Convida", "Câmara em Movimento" e "Labhinova" – responsáveis por aproximar os cidadãos da CLDF.

Ao falar de seus projetos futuros – o deputado não disputou a reeleição, após dois mandatos –, disse que não está na política por profissão: "Entrei em decorrência de uma trajetória e um ideal". E ainda afirmou ser "um verdureiro que vive da terra", referindo-se ao seu trabalho frente a uma empresa agrícola de produtos orgânicos.

Em seguida ao discurso de Joe Valle, deputados de diversos partidos que compõem a Câmara legislativa se sucederam para exaltar o trabalho da atual Mesa Diretora e agradecer aos colegas e servidores pelos resultados alcançados.

Assista o discurso do deputado Joe Valle >> https://www.facebook.com/JoeValleOficial/videos/263239617703916/

 

Discurso proferido no dia 17 de dezembro de 2018

 

DEPUTADO JOE VALLE (PDT. Sem revisão do orador.) – Boa tarde a todos e a todas que estão presentes. Hoje, realmente, é um dia muito especial na minha vida. Sinto-me honrado, emocionado e grato com o trabalho e com a presença de todos vocês neste momento.

Eu gostaria de agradecer de forma especial à minha família, aos meus pais, à minha esposa e às minhas filhas, Mariana e Maria Luísa, minhas grandes fortalezas e parceiras de vida. Agradeço aos meus amigos, ao meu partido, PDT, aos companheiros do Bloco Trabalho e Sustentabilidade, aos Parlamentares desta Casa e da Mesa Diretora, especialmente aos meus companheiros que me acompanharam durante esses dois anos na Mesa Diretora, e principalmente aos nossos mais de 20 mil eleitores, que nos elegeram e nos deram força quando nos lançamos ao desafio de sermos Deputados e de presidir esta Casa.

Esta é a Casa do Povo e, à frente dela, não medi esforços para fazer uma gestão que honrasse a confiança da população do Distrito Federal.

Quero iniciar minhas palavras falando um pouco de democracia, mas de democracia num plano superior.

A democracia é um princípio inarredável e imprescindível aos nossos processos civilizatórios. Tantos ataques estamos vendo e sofrendo. Precisamos resistir. Só com democracia plena é que avançaremos para uma sociedade mais justa e equânime, portanto sustentável. Só com democracia é que a paz social pode ser almejada por cada um de nós. É a partir da democracia política que o povo poderá avançar em direção à democracia participativa e à democracia econômica.

Ilude-se quem foge da política. É na política que está a solução de todos os processos. Aliás, Sras. e Srs. Deputados, a democracia representativa fica cada vez mais frágil se se deixar de pensar a democracia participativa como sustentáculo da representação, da mesma forma que a democracia política carece de progressivamente avançar para uma democracia econômica que efetivamente refute as diferenças abissais entre as pessoas, entre comunidades, cidades e regiões. Não trilhar esses caminhos significa aceitar rupturas indesejáveis, que nos remeterão aos imponderáveis, talvez para a violência.

Feitas essas considerações sobre o valor supremo da democracia, quero falar do nosso Poder, o Poder Legislativo. Somos um dos pilares da democracia ao lado dos Poderes Executivo e Judiciário. O Legislativo é poder soberano e independente, mas, por natureza e por exigência da sociedade e do seu processo civilizatório, é obrigado a agir em harmonia com os demais Poderes. Nossa missão é representar, legislar e fiscalizar. Dela, não há como abrir mão nos parâmetros da legalidade e da legitimidade. Do contrário, é aceitar relações promíscuas e nocivas à sociedade. A relação fora dos parâmetros republicanos remete não apenas ao conflito entre os Poderes, mas ao conflito fraticida no seio de cada um dos Poderes. Ninguém ganha; a população perde.

Nesse sentido, eu quero instar a Mesa Diretora e cada um dos Deputados e Deputadas a trazer para a Câmara Legislativa as pautas e agendas das políticas de Estado, respeitando, obviamente, as políticas de governo, sem deixar de criticá-las ou fiscalizá-las e, sobre elas, legislar.

Vejam bem, eu estou lendo o meu discurso de posse. Eu gostaria que os senhores prestassem atenção no que aconteceu nos dois anos.

Refiro-me, para exemplificar, à questão da ocupação e gestão do solo urbano, rural e de proteção ambiental. Refiro-me, particularmente, à questão hídrica, que sinaliza grande preocupação para o Legislativo, para o Executivo e para o Judiciário e, sobretudo, para cada cidadão e para o setor produtivo, agropecuária, indústria e economias de serviço, sobejamente dependentes da água para que prosperem.

Então, vejam os projetos que aprovamos nesta Casa: Código de Obras, LUOS, ZEE, fora um sem número de projetos que foram nessa direção.

E, finalmente, entre as políticas de Estado, refiro-me à importância de redesenhar o próprio Estado, seus estamentos burocráticos necessários na exata medida em que sejam um vetor de desenvolvimento, nunca de entraves e cerceamento aos movimentos da sociedade em direção à construção de um mundo melhor. Isso foi um norte que nós perseguimos o tempo todo, e os senhores estão aqui de prova.

Nessa linha de pensamento e de ação é que tivemos como eixo orientador da nossa gestão a transparência. Transparência gera confiança; transparência é reciprocidade. Quando recebemos um voto, somos cativos dessa confiança. Quem recebe confiança tem que ser confiável. É dever nosso, como representantes, prestar contas aos representados sempre, totalmente.

O escondido às sombras não teve lugar na nossa vida e não teve lugar na Câmara Legislativa. O escondido está, esteve, daquele momento em diante, definitivamente banido. Todos os atos, todas as decisões, todos os gastos, todas as iniciativas desta Casa foram e estão acessíveis a qualquer pessoa que as desejem conhecer. Todas as despesas e todas as nomeações, tudo – eu insisto, tudo – o que praticamos como Deputados e Deputadas eleitos, é direito do povo, do público conhecer. Não poupei esforços e trabalho para que as pessoas se sentissem pertencentes. Temos a clareza de tudo o que está acontecendo. Quanto mais próximo da Casa estiver a população, mais a Casa acertará em suas decisões; quanto mais abertos estivermos para ouvir, mais perto estaremos de bem decidir.

Sim, a participação social é parte orientadora e estruturante desta gestão. E foi em todos os momentos: o Câmara Convida, o Câmara em Movimento, o Laboratório Hacker de Inovação da CLDF – Labhinova.

Tenho falado repetidamente em ressignificação. Falei o tempo inteiro. O tempo inteiro, foi essa a nossa colocação. E o que eu quis passar com esse conceito? Amigos e amigas, a ressignificação está ligada à confiança, está ligada à memória e ao legado e também está ligada à transparência e a uma forte preocupação e compromisso com a sustentabilidade.

Esta Câmara deve voltar – e essa é a tentativa, precisamos que esse bastão continue erguido – a ter significação para os brasilienses. Ela deve voltar a ser querida pelo povo, que, um dia, ansiou por ela e foi às ruas pelo direito de elegê-la. Por que deixamos se perder esse sentimento, essa significação? Esse é o maior desafio que se apresenta a todos nós. E continua, porque esse é um processo, não é uma medida e uma missão simples.

A nossa relação com os Poderes Executivo e Judiciário será pautada – e foi pautada – rigidamente pelas balizas da legalidade. Eu já disse em ocasiões anteriores e reafirmo aqui: dentro da legalidade, tudo pode ser discutido, construído, proposto; um milímetro além da legalidade, nada será feito. Repito: nada, zero. Não houve concessão, não houve jeitinho, não houve subterfúgio.

Esta Casa estabeleceu um pacto com os demais Poderes. Sim, amigas e amigos, um pacto de lealdade. Lealdade não é concordar sempre. Não, lealdade é estar ao lado do que é correto, é ser justo, é ser bom. Isso pautou esta Casa nestes dois anos, como sempre. Esta Casa estabeleceu esse pacto. Lealdade também não é aceitar o que não seja bom, correto e justo. Lealdade é dizer a verdade sempre, ainda que não agrade ao interlocutor. Vivemos isso desde o primeiro dia, quando, como vocês estão lembrados, o governo fez aquele aumento absurdo e nós reagimos de pronto. Lealdade é poder ouvir de seu interlocutor que ele não concorda com o que pensamos, ainda que isso nos desagrade.

Estabelecemos um pacto de lealdade entre nós, e foi o que fizemos – todos os Parlamentares, os demais poderes e o povo de Brasília – porque o que queremos construir a cada dia é uma relação respeitosa e fraterna, baseada em muito diálogo.

O que me norteia e baliza é o conceito de missão: não estou na política por profissão, ah, isso não! A minha escolha profissional foi feita muito cedo, e sei bem o que sou. Eu sou um plantador de hortaliças, como todos sabem, que faz bem para a saúde das pessoas, um verdureiro que vive da terra e que encontra a felicidade na produção de alimentos saudáveis, para à qual vou voltar agora. A política entrou na minha vida como decorrência de uma trajetória e de um ideal.

Brasília tem tudo para ser melhor, para oferecer mais aos seus habitantes. Esse, amigas e amigos, é o nosso grande propósito. Nós podemos fazer a cidade melhor. Nós queremos alimentos orgânicos e felicidade para todos. Nós devemos fazer a cidade melhor. Nós vamos fazer a cidade melhor. Nós fizemos uma cidade melhor. Nós queremos todos vocês numa cidade melhor, uma cidade mais justa, uma cidade mais feliz.

Muita gratidão. Seguiremos juntos nessa missão. Quero agradecer especialmente aos Deputados que estão aqui, todos os Deputados, os 24 Deputados, a todos os servidores desta Casa, aos meus amigos e parceiros que me acompanharam na Mesa Diretora, ao pessoal que estava ali do lado – o André, o Fernando, o Josué, o Dr. Arnaldo, toda essa turma que está o tempo inteiro trabalhando. Aqueles que já foram presidentes desta Casa sabem do que estou falando: daquelas pessoas leais que ficaram depois do horário, dos meus amigos, que se tornaram amigos, porque a gente acaba ficando amigo de todos, não é?

Agora há pouco estava falando para um gestor que aquele gestor que age com ressentimento perde a condição de liderar. Então eu acho que, quando assumimos um espaço como esse, o movimento é sempre de agregar. O movimento é sempre de ser justo, de ser leal, de buscar a sustentabilidade. E tenho certeza absoluta – e durmo com tranquilidade enorme, porque sei disso – de que saio daqui com muitos amigos, mas sem deixar de praticar a justiça. Sem deixar de praticar a lealdade. Sem deixar de praticar a legalidade.

Meus amigos que me acompanharam, minha amiga e secretária eterna, Deputada Telma Rufino, que me ajudou muito... Vejam bem. Todos os dias, às 15h – o Deputado Chico Vigilante, o Deputado Wasny de Roure, o Deputado Prof. Reginaldo Veras, a Deputada Luzia de Paula estão de prova –, a gente iniciava às 15h e a Deputada Telma Rufino estava aqui. Muitas vezes liguei aqui para dizer que ia me atrasar e pedir isto, e o Deputado Chico Vigilante abria a sessão, ou a Deputada Telma Rufino, mas a gente abria às 15h. Acho que, nesse rito da Casa, nós avançamos.

Quero aqui agradecer de coração ao meu leal Vice-Presidente, com o qual fizemos uma amizade grande. Tivemos um trabalho forte e de muita amizade. Essa é uma condição que eu queria agradecer, e a todos vocês que estão no plenário todos os dias aqui, pessoas maravilhosas, com energia bacana, neste Poder Legislativo que, de verdade, é o mais transparente de todos. Não tenham dúvida disso. Este, e posso falar isso para vocês com bastante conhecimento, é o mais transparente dos poderes. Este é o mais participativo dos poderes. E em todos os momentos nós abrimos a porta desta Casa para todos. Para todos. Isso é democracia. Isso é gostoso de ter vivido.

Saio daqui e vou ficar com muitas saudades, não tenham dúvida. Sou um ser humano, e ser humano, pelo DNA, vive junto, vive com outras pessoas, o ser humano não é um ser solitário, como muitos animais que há por aí. Nós somos de viver juntos, de ter líder, de seguir liderança, de liderar.

Eu saio daqui com a possibilidade grande de entender que estar aqui no Legislativo é uma coisa tão importante, que só pode ter sido dado para as pessoas que poderiam estar aqui, mesmo que sejam provadas todos os dias. Então, senhores, agradeço de coração a vocês e à turma da Taquigrafia.

Ficam algumas frustrações, claro que não dá para fazer tudo, mas saio bastante tranquilo e com essa sensação gostosa de ter feito muitos amigos e de ter cumprido o dever para o qual me coloquei.

Sr. Presidente, essa questão de ordem foi longa, desculpem, mas agradeço de verdade a todos.