Brasília precisa de respostas sustentáveis

Na virada dos anos 1970–80, quando o Brasil buscava redemocratizar-se, nós brasilienses fazíamos a nossa parte: além da campanha nacional, cujo ponto máximo enunciou-se no grito “Diretas, Já! ”, aqui a luta contemplava outra exigência, a de autonomia política do Distrito Federal.

Se votar para presidente era aspiração nacional, queríamos em Brasília eleger Executivo e Legislativo que nos representassem diretamente.

Lembro aqueles tempos e suas lutas para enfatizar que esta representação tem um significado especial: é emblema da autonomia política e do pleno exercício democrático em nosso quadrilátero.

A Câmara Legislativa do Distrito Federal é, portanto, fórum natural para se debater pautas e agendas das políticas de Estado.

Refiro-me, para exemplificar, à questão da ocupação e gestão do solo e à proteção ambiental. Refiro-me, ainda, à questão hídrica que afeta a tudo e a todos: a agricultura, a agroindústria, a indústria e a economia de serviços, sobejamente dependentes da água para que prosperem.

Igualmente importante é a necessidade de se repensar o próprio Estado, redesenhando seus estamentos burocráticos de modo a que sejam vetor de desenvolvimento, nunca de entraves e cerceamento aos movimentos da sociedade em direção à construção de um mundo melhor.

Conquanto o diagnóstico pareça ser consensual, a busca de soluções é tarefa que exige esforço permanente de toda a sociedade. Se não investirmos num modelo de diálogo, não teremos para onde irmos. Brasília precisa de respostas sustentáveis.

Diálogo! Diálogo! Nós construímos as cidades com diálogo. Nós construímos as políticas públicas com diálogo.

Precisamos pensar Brasília para além dos mandatos de seus governantes. E, para isso, necessitamos unir esforços em prol de um planejamento de longo prazo. Sem essa perspectiva viveremos de soluços mandatários: mal termina um governo, outro vem e muda tudo.

O planejamento precisa acontecer e continuar, independente de mandatos eletivos. O plano deve ser da sociedade e não do governo. E, nessa linha de pensamento e ação, a transparência é elemento central e orientador. Transparência gera confiança; transparência é reciprocidade.

*Joe Valle é Deputado Distrital e Presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal.